A Arte do Futebol

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Mind Games



Acabei de ler um artigo escrito por Jonah Lehrer, no seu blog The Frontal Cortex sobre underdogs. Para quem não sabe, underdog é a designação em inglês para alguém, ou falando no caso do futebol, para uma equipa que não é favorita. Jonah Lehrer citava uma pesquisa de Daniel Engber, que constatou que as pessoas tinham tendência a considerar os underdogs como mais esforçados. Num exemplo específico do basquetebol, chegou-se à conclusão que as pessoas, na sua maioria, consideravam a equipa menos favorita como menos talentosa mas mais lutadora e com mais coração. O curioso é que nesse estudo, foi dito a um grupo de pessoas que a equipa A era a favorita e no outro grupo disseram que a favorita era a equipa B e em ambos os grupos, a equipa que era considerada a menos favorita, foi classificada como a menos talentosa mas mais lutadora.

Este estudo leva-nos a entender que as pessoas, na sua vasta maioria, avaliam as equipas baseando-se mais no status da mesma que na respectiva exibição. Mas se levarmos esta linha de raciocínio para dentro do futebol (jogadores, treinadores, etc.), os tão falados mind games começam a fazer todo o sentido e mostram-se como uma arma poderosa quando bem utilizados. Jonah Lehrer continua o post lembrando um texto seu mais antigo onde falou do superstar effect (efeito super estrela) que sugere que quando uma equipa defronta outra que é vista como muito superior, joga pior que o habitual. Isto acontece porque a equipa sabe que tem poucas hipóteses de ganhar e como tal, acaba por se esforçar menos (mesmo que inconscientemente). O exemplo dado por Jonah foi relativo ao golf, nomeadamente a Tiger Woods, onde mostrou mesmo algumas percentagens interessantes que podem ser consultadas no respectivo post.

Os tão falados mind games, por muitos já considerados clichés do futebol profissional, tal é o seu mistério alimentado pela falta de compreensão por parte das pessoas das dinâmicas sociais que os comportam, fazem todo o sentido depois destes dados apresentados pelo escritor Jonah Lehrer. Treinadores como José Mourinho não devem ser considerados arrogantes, são apenas pessoas que dominam a psicologia social e que fazem uso dela para ter vantagem nas suas áreas.

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