A Arte do Futebol

domingo, 16 de maio de 2010

Não há verdades absolutas


"Nunca acredites demasiado em algo porque há sempre uma situação em que isso não é verdade."

A primeira vez que ouvi esta frase (em inglês) nem sequer foi no contexto do futebol, nem tenho a certeza sobre quem a citou mas foi uma daquelas frases que me fez abrir os olhos.

Ver um jogo de futebol só por ver resume-se a 90 minutos desperdiçados, porque se queremos ver jogadas interessantes e golos, vemos os resumos dos jogos. No entanto, o futebol tem uma beleza que muita gente ignora e é tanto mais visível quanto mais alto for o nível da equipa (ou do treinador), falo das dinâmicas do processo ofensivo e defensivo de uma e outra equipa em confronto. Tal como o Marcelo D2 anda "À Procura da Batida Perfeita", eu ando à procura do modelo de jogo perfeito (desconfiando que tal não existe) e como tal tenho acompanhado as 'modas' no que diz respeito a sistemas tácticos, métodos de jogo defensivo e ofensivo, etc. e tenho formado opiniões sobre o que é mais ou menos eficaz neste ou naquele contexto. Mas muitas vezes, aqueles métodos que eu considero ineficazes de uma forma geral,são usados por equipas de topo (haverá este ano um 'topo maior' que o Internazionale de José Mourinho?) com uma extrema eficácia e isto leva-me novamente à frase com a qual iniciei este texto. Todos sabemos que, seja em que área for, se queremos evoluir temos de estar sempre a aprender (não importa qual o nosso nível de especialização) mas nem todos levamos isso a sério.

Não basta apenas ter uma ideia de jogo e dominar essas mesmo componentes, nós temos de dominar tudo quanto nos for possível dominar. Dou o exemplo da componente táctica mas isso aplica-se a muitos mais níveis, como por exemplo a nível social, que é de extrema importância no futebol.

Eu acompanho de perto o futebol distrital (Lisboa), tanto na formação como em seniores, e posso dizer que já vi muitos jogadores talentosos em várias equipas mas são jogadores que eu sei que nunca passarão do futebol distrital. Porquê? Porque são incompletos. Um jogador pode ser muito bom no drible mas se não souber passar uma bola, não serve a uma equipa de topo. Um jogador pode ser fortíssimo no passe mas se não for culto tacticamente, não serve a uma equipa de topo. E um dos casos que se vê mais são os jogadores acima da média tecnica e tacticamente mas que são fracos psicologicamente e esses também não servem a uma equipa de topo. E acontece a mesma coisa com os treinadores, podem ser brilhantes ao aplicar um determinado modelo de jogo mas se não tiverem versatilidade para se adaptarem a um determinado plantel, não servem a uma equipa de topo.

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