A Arte do Futebol

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Evolução das Selecções Nacionais


Os jogadores portugueses sempre foram bons tecnicamente. Geração atrás de geração surgiram jogadores com espectaculares capacidades de resolução de problemas com bola o que fez com que até há bem pouco tempo nos chamassem o Brasil da Europa. Acho justo dizer que embora possa parecer um paradoxo, o título de Brasil da Europa acabava por ser a nossa identidade. Mas onde é que está agora a nossa identidade?

Esta pergunta surge no seguimento das exibições ‘menos conseguidas’ nos últimos tempos por parte das nossas selecções nos vários escalões. Os nossos jogadores continuam a ser dos melhores da Europa em termos técnicos, creio que ninguém duvida disso… então o que se passa?

Não podemos ignorar que as selecções mais fracas são actualmente menos fracas. A globalização do futebol está a permitir a que os países com menor influência no panorama futebolístico vão formando cada vez melhores jogadores mas não é menos verdade que ainda assim, Portugal tem de ser sempre considerada como uma das melhores selecções europeias. Então porquê tantas exibições sofridas frente a selecções claramente mais fracas?

Na minha humilde opinião, estamos a ser vítimas da evolução natural dos métodos estratégico-tácticos. Para quem está familiarizado com o futebol, não é novidade que os sistemas tácticos têm evoluído no sentido de reduzir o número de atacantes para aumentar o número de defesas. Já lá vão os tempos do 2-3-5 e do 3-3-4, agora andamos a caminhar para o 4-5-1 e o 5-3-2 (e todas as variantes bonitas e vistosas que os jornais gostam de inventar). Antigamente, quando uma equipa não tinha activos desportivos (leia-se jogadores) com qualidade igual ou superior aos do adversário, a conclusão natural de um jogo era uma derrota. Hoje em dia, quando isso acontece, defende-se de todas as formas e feitios para evitar sofrer um golo, nem que para isso se tenha de abdicar do ataque. E quando vemos treinadores a mostrarem-nos que é possível colocar um Eto’o e um Pandev a fechar o corredor lateral defensivo, neste momento vale de tudo para não deixar a outra equipa marcar.

Eu não digo que isto seja mau, aliás, sempre concordei com o (ou um dos) treinadores de guarda-redes da selecção nacional, Daniel Gaspar, quando o ouvi dizer que “sucesso é fazer o melhor possível com as armas disponíveis” mas como é óbvio, isto tem um terrível revés para as equipas com maior poder técnico e mais importante que isso, para o espectáculo que é um jogo de futebol. Eu pessoalmente regozijo-me quando vejo uma equipa a defender bem até porque sou um fã da arte de bem defender, no entanto são os golos, os dribles e a magia que trazem as pessoas ao estádio.

Mas acho que a condenação e crítica às equipas defensivas não é o caminho até porque essas equipas estão apenas a seguir uma tendência evolutiva. O mundo do futebol está para os que têm melhor capacidade de adaptação. E Portugal, França, Inglaterra, Itália, entre outros têm de se adaptar se querem voltar ao domínio do futebol mundial.

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