A Arte do Futebol

domingo, 26 de setembro de 2010

O Dilema da Gestão do Futebol



Todos sabem que o futebol está num estado lastimável em termos financeiros e apesar das contratações milionárias a que assistimos todas as épocas e aos ordenados exorbitantes das grandes estrelas a nível mundial, os clubes vão acumulando passivos e pagando dívidas usando empréstimos que por sua vez vão aumentar ainda mais o passivo. Vamos assistindo a uma enorme bola de neve que parece arrastar tudo e todos mas ninguém se interessa, porque o que conta é o presente.

A famosa expressão carpe diem, utilizada por milhões de adolescentes em todo o mundo para justificar as suas acções irresponsáveis, parece traduzir a missão dos clubes da actualidade... clubes e não só. O futebol vive de resultados, vive do momento. Se um treinador perder 4 jogos consecutivos é despedido, mesmo quando uma época tem mais de 30 jogos. Se uma equipa faz 2 maus jogos numa semana é assobiada pelos próprios adeptos. Esta necessidade imediata de toda a massa que envolve o futebol por resultados cria uma pressão enorme nas pessoas que gerem os clubes e a certa altura, vale tudo para conseguir melhores resultados. A verdade é que o lençol financeiro não cobre o corpo todo e para tapar a cabeça, os pés têm de ficar de fora.

Um clube que não tenha estabilidade, não atinge o sucesso. Esta estabilidade pode estar relacionada com o interior do balneário, com a direcção, com a situação desportiva ou financeira mas seja qual for a sua natureza, é um factor extremamente importante para o sucesso, uma condição sine qua non. Como o futebol vive de resultados desportivos, podiamos dizer que deve primeiro assegurar-se a estabilidade desportiva, no entanto é a estabilidade financeira que serve de base ao clube e sem esta, torna-se muito difícil manter a estabilidade desportiva.

Nos níveis mais baixos do futebol, os recursos materiais disponibilizados ou o estatuto do clube começam a passar para segundo plano, agora importa saber "qual o clube que paga a horas". A nível profissional, dada a importância do mediatismo para as carreiras desportivas, o estatuto assume o papel principal mas nenhum jogador consegue manter altos níveis de motivação quando todos os meses se preocupa com aqueles que tem em atraso. A verdade é que actualmente, o mundo financeiro do futebol está de tal forma inflacionado que parece ser impossível um clube manter um bom nível competitivo sem comprometer a sua conta bancária. Os patrocinadores interessam-se pelas equipas mediáticas, equipas essas que precisam de bons activos desportivos, activos desportivos estes que auferem de enormes remunerações, remunerações essas que vão custar dinheiro ao clube (quase sempre mais que aquele que o clube consegue em receitas). Actualmente, o futebol vive de esmolas, os clubes pequenos são autênticos mendigos a pedir dinheiro a toda a gente, os clubes grandes são pseudo-ricos que se endividam para manter as aparências de clube rico de forma a atrair os melhores activos desportivos.

E que tal apostar na formação para conseguir um retorno a longo prazo com os direitos desportivos dos atletas que se transferirem para os clubes grandes do futebol? Quase que podia resultar, não fossem alguns clubes terem o monopólio dos talentos desportivos portugueses (e não só), recrutando qualquer jogador com o mínimo indício de qualidade antes dos 14 anos (idade a partir da qual só podem ser libertados dos clubes com um determinado custo).

Eu não sou gestor, não me compete a mim alterar este panorama mas talvez fosse bom aparecerem uns quantos gestores da nova escola que consigam alterar esta tendência e revolucionar o futebol no bom sentido. Já está na altura de os clubes se tornarem auto-suficientes. O futebol fica à espera de um Messias da gestão e marketing, pelo que em termos futebolísticos, já existem os suficientes.

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