A Arte do Futebol

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Prof. Carlos Queiroz


Aparentemente chegou ao fim mais um 'estranho' caso do futebol português. Um despedimento polémico a juntar a toda a polémica que já se tem vindo a mostrar na Federação Portuguesa de Futebol (FPF).

Antes de mais, qual foi a razão do despedimento? No que diz respeito aos objectivos destes 4 anos de contrato (seria até 2012), estes seriam a reformulação do futebol juvenil da FPF e a qualificação para o Campeonato do Mundo de 2010 e depois a qualificação para os respectivos oitavos-de-final da competição. Em relação aos 2 últimos objectivos, o primeiro foi conseguido, apesar da precária prestação da selecção nacional na fase de qualificação. Não tão precária foi a prestação no Mundial da África do Sul em que Portugal acabou por ter uma prestação aceitável na fase de grupos (7-0 frente à Coreia do Norte e uma excelente exibição a nível defensivo frente ao Brasil) e apenas foi derrotada pela margem mínima frente aquela que iria tornar-se campeã do mundo, a Espanha (jogo em que Portugal sofreu o único golo na competição). Independentemente das boas ou más decisões do prof. Carlos Queiroz no jogo dos oitavos-de-final, não creio que seja justo condenar a selecção portuguesa nessa competição, onde afinal de contas, cumpriu na íntegra os objectivos da FPF.

Com 2 em 3 objectivos cumpridos, apenas se pode pegar no primeiro que é, citando o jornal A Bola, "Reformular e «tirar do fundo» o futebol juvenil da FPF". O que eu entendo por isto é criar uma boa base para a Selecção AA, ou seja, criar boas selecções jovens em que sejam formados bons jogadores cujas capacidades serão potenciadas ao máximo para que o respectivo potencial seja alcançado. Isto é um objectivo, no mínimo, utópico na medida em que a FPF não tem grande influência na formação de jogadores, dado que estes fazem a sua formação nos respectivos clubes e não nas selecções nacionais (a FPF acaba por ser irrelevante na criação de estrelas de classe mundial). Quanto muito pode ter influência na prospecção de jogadores para as selecções nacionais, mas a prospecção dos ditos 'grandes' está de tal modo desenvolvida que hoje em dia é bastante difícil um excelente jogador ficar esquecido seja em que competição for. No entanto creio que se a FPF pudesse fazer algo para melhorar o futuro das selecções portuguesas, o prof. Carlos Queiroz seria a pessoa mais indicada para liderar o projecto pois há pouca gente no futebol nacional que saiba tanto de futebol como ele. Posto isto, mais uma vez voltamos à estaca zero.

Uma coisa é certa, sem ovos não se fazem omeletes. O Luiz Felipe Scolari fez um excelente trabalho na selecção nacional (contra factos não há (muitos) argumentos) mas contou com a geração de ouro, a colheita do mundial de sub-20 de 1989 e 1991. Dessa geração já ninguém joga e resta-nos uma geração de jogadores razoáveis (a nível mundial), misturados com um ou outro fenómeno e alguns estrangeiros.

Qualquer amante do futebol reconhece que a Selecção Nacional, a equipa de Portugal, tem qualquer coisa que nenhum outro clube tem. Quando Portugal joga, jogam 11 pessoas que representam o nosso país e a imagem do português, de todos nós. Quando Portugal ganha, 11 milhões de pessoas ganham, todos andamos de cabeça erguida pelo mundo... quando perdemos, custa a todos mas parece que custa cada vez menos, porquê? Porque a identidade da selecção está a perder-se por entre contratos milionários e naturalizações de estrangeiros, que parecem sentir-se mais motivados a actuar pelos seus clubes que por aquela que deveria ser a ambição máxima de qualquer jogador, representar o seu próprio país. Talvez o prof. Carlos Queiroz não seja a pessoa indicada para liderar esta selecção, talvez ele ainda tenha princípios e um carácter demasiado genuíno para estar no meio desta confusão... talvez precisemos de um entretainer para motivar os jogadores, alguém que leve uma pandeireta para o autocarro e promova a indústria de bandeiras.

Afinal de contas, de quem é a culpa de tudo isto? Dos senhores do controlo anti-dopagem que quiseram acordar os jogadores às 7h da manhã para fazer os respectivos controlos? Dos jogadores que se acham mais conhecedores do futebol que o próprio treinador? Do treinador que tomou más decisões no campo (e fora dele)? Das pessoas que perderam a coerência ao despedir um treinador com processos a meio e recursos por analisar? Minha não é de certeza... ou será que é?

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