A Arte do Futebol

domingo, 31 de outubro de 2010

Definição de Objectivos na Busca do Rendimento


"São os objectivos que incentivam o rendimento." (André Villas Boas)

De facto, não poderá haver motivação se não existirem objectivos, sejam eles quais forem. Isto é tanto verdade para o desporto como para qualquer outra área. O propósito da nossa existência é cumprir vários objectivos, um a seguir ao outro, até não haver nenhum. O próprio organismo está programado para estabelecer objectivos periodicamente em função das nossas necessidades, seja comer para saciar a fome, beber para matar a sede, dormir para recuperar energias e reestruturar o aparelho motor, etc...

Existe uma teoria de motivação organizacional, chamada Teoria da Definição de Objectivos de Edwin A. Locke e Gary P. Latham. Esta teoria, de uma forma geral, defende que o comportamento de um indivíduo é regulado por metas e valores. É importante que estas metas sejam difíceis mas realistas, pois caso contrário elas não serão aceites pelos intervenientes e não terão o impacto necessário.

Se o Rui Vitória, no balneário do Paços de Ferreira (com todo o respeito que tenho pelo clube), dissesse que o objectivo da equipa era o 1º lugar, obviamente que nenhum jogador iria aceitar esse objectivo como algo possível e aquilo que poderia ser uma forma de aumentar a ambição do plantel, passou a ser um conjunto de palavras vagas que acabariam por descredibilizar o treinador. No entanto, se ele dissesse que o objectivo seria o 8º lugar, os jogadores já se poderiam unir na luta pela classificação pois poderiam considerar esta meta como algo ao seu alcance. Mas tal como é importante definir objectivos ao alcance dos intervenientes, também é importante que estes objectivos sejam mensuráveis. Algo que não teria qualquer impacto numa equipa de futebol seria definir como objectivo fazer o melhor possível. Muitas vezes, para se livrarem da pressão dos resultados, os treinadores e dirigentes definem o objectivo de fazer o melhor possível, ou então de tentar ganhar todos os jogos em que entram. É óbvio que nenhuma equipa entra para um jogo para tentar perder ou empatar, apesar de muitas vezes a vitória ser vista como algo muito difícil de conseguir.

Imaginem um jogo F.C. Porto x S.C. Freamunde.

Quando, para o Freamunde, o objectivo geral da 'vitória' parece inalcansável (apesar de todos saberem que tudo é possível no futebol), estabelecem-se objectivos específicos. Em vez de dizer que o objectivo é 'marcar um golo' ao Porto, define-se como objectivo 'rematar à baliza do Porto 3 vezes em cada parte'. Este é um objectivo que parece muito mais fácil que 'marcar um golo' e que apesar disso pode ter como consequência o próprio golo.
Outro aspecto importante é definir objectivos que possam ser cumpridos independentemente das acções que ocorram no jogo. Por exemplo, em vez de dizer que o guarda-redes 'não pode sofrer golos', diz-se que o guarda-redes tem de 'fazer pelo menos 5 defesas'. Desta forma, mesmo que o guarda-redes sofra um golo, irá continuar com a possibilidade de cumprir os seus objectivos, mantendo os seus índices motivacionais até ao final do jogo.

No caso do Porto, a história seria outra e a motivação continuaria a ser algo muito importante. Neste caso, o objectivo 'vencer o jogo' parece algo demasiado acessível, no entanto é necessário definir outros objectivos como por exemplo 'fazer 10 recuperações de bola no meio campo ofensivo'. Este é um objectivo que será difícil mas acessível e mesmo que o Porto esteja a ganhar por 3 x 0, caso ainda não tenham feito as 10 recuperações de bola no meio campo ofensivo, irão continuar a atacar para conseguir esse objectivo, e assim, poderem aumentar ainda mais a vantagem.

Isto são apenas alguns exemplos, as possibilidades são imensas e a definição de objectivos colectivos e individuais são uma arma poderosa para o treinador na busca do melhor rendimento nos mais variados contextos competitivos.

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