A Arte do Futebol

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A Arte da Defesa


Apesar do futebol viver dos golos e do espectáculo que estes lhe dão, o que determina o sucesso de uma equipa é a sua capacidade defensiva. Cada vez mais assistimos a grandes batalhas tácticas das grandes equipas europeias e, cada uma com o seu estilo, todas têm um denominador comum que é a qualidade defensiva.

Mas defender bem não implica jogar no seu meio campo defensivo enquanto se espera por uma oportunidade de contra-atacar. O exemplo mais mediático disso mesmo é o actual Barcelona de Pep Guardiola. É mais que óbvio o poder ofensivo desta equipa e a excelente capacidade que todo o plantel tem de manter a bola em sua posse enquanto espera por uma oportunidade (erro adversário) para marcar golo mas o que muitas vezes passa despercebido ao comum dos mortais é a excelente capacidade defensiva da equipa, que grande parte das vezes começa mesmo no sector médio e atacante. O Barcelona é uma equipa que opta por defender atacando a bola e é esse o segredo para as enormes percentagens de posse da bola que a equipa apresenta jogo após jogo, seja com que adversário for. Aliás, era esta a forma que Mourinho utilizava em Portugal, no Porto, para dominar todos os jogos. Atacar a bola logo após a sua perda. A famosa 'pressão alta' é isso mesmo, não dar espaço ao adversário para construir jogo, aumentando as hipóteses deste cometer um erro e perder a posse da bola. E claro, quanto mais à frente for ganha a bola, mais hipóteses há de marcar golo.

Mas não menos brilhante é a forma mais 'calculista' de defender, a equipa que entrega a iniciativa ao adversário para aproveitar os seus erros para criar situações de contra-ataque. Temos como exemplo o Internazionale de José Mourinho da época passada (2009/2010). Era surpreendente ver uma equipa onde até o próprio Samuel Eto'o fechava o corredor lateral no sector defensivo para que a equipa funcionasse como um bloco coeso no processo defensivo. Foram poucos os jogos em que o Inter teve uma percentagem de posse da bola superior a 50% e no entanto foi incrível a sua eficácia e sucesso nessa época. Era uma questão de fechar os espaços e impedir que a bola entrasse em condições para as zonas críticas, frustrando o adversário com sucessivas tentativas falhadas de entrar na zona de perigo e consequentes situações perigosas para a sua defesa em que os jogadores tinham de estar em constante alerta sabendo que o perigo poderia ser criado de um momento para o outro.

No entanto não se deve encarar o processo defensivo como um processo isolado. Defender por defender é um erro fatal que conduzirá a equipa inevitavelmente ao insucesso. Defender não é simplesmente agir em função da iniciativa do adversário mas sim conduzir o adversário a agir de determinada forma para promover a criação de oportunidades de atacar e cumprir o principal objectivo do futebol (o golo). Já dizia Chang Yu num comentário a uma máxima de Sun Tzu, no famoso A Arte da Guerra: "O segredo da defesa é o ataque; defender é planear um ataque."

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