A Arte do Futebol

domingo, 19 de dezembro de 2010

Forma(ta)ção

Fui este Sábado assistir ao Belenenses x Benfica (Nacional de Juniores) e em conversa com um colega de faculdade, toquei num assunto que sempre me causou alguma estranheza. O porquê das equipas de formação do Benfica e Sporting se comprometerem de forma tão rígida ao clássico 4-3-3 em todos os jogos, independentemente do seu treinador ou adversário?

A velha desculpa de se formarem jogadores para a equipa sénior é 'uma treta' pois para além de pouquíssimos jogadores terem qualidade suficiente para ingressar na equipa principal, o treinador desta mesma equipa muda quase de ano para ano e como tal, não há uma forma padrão de jogar ou uma identidade de jogo definida culturalmente no clube.

A mim causa-me estranheza pois jogar num 4-3-3 não é o mesmo que jogar num 4-4-2 ou num 3-4-3. Será que um jogador, actuando durante toda a sua formação com um sistema de jogo (que sendo o mesmo ano após ano, reduz a variabilidade táctica do respectivo modelo), terá a capacidade necessária de se adaptar a outros sistemas e modelos quando chegar ao futebol profissional? E isto não é uma pergunta retórica, é mesmo uma dúvida que eu tenho.

Parece-me que seria muito mais produtivo haver treinadores com diferentes perspectivas do jogo nos vários escalões de formação, dando um vasto leque de opções e experiências aos jogadores, aumentado-lhes assim o repertório técnico-táctico. É certo que para o mesmo sistema táctico poderão haver infindáveis combinações que irão constituir um modelo de jogo com múltiplas variáveis... mas um extremo num 4-3-3 não é o mesmo que um ala ou um ponta num 4-4-2. Um 10 num 4-2-3-1 não é o mesmo que um médio centro num 4-4-2 ou 4-3-3.

Formamos com vista à globalidade ou à especialização? Será esta uma causa para a recente preocupação com a formatação dos jovens jogadores, da homogeneidade dos estilos de jogo dos jogadores da 'nova era'?

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