A Arte do Futebol

sábado, 22 de janeiro de 2011

O Caminho Para o Sucesso


Decorria a época 2008/2009 quando ouvi um treinador da formação do Belenenses a dizer algo que foi mais ou menos assim: "Todos sabem como chegar ao topo mas muito poucos estão dispostos a percorrer esse caminho."

Eu sou muito ambicioso e apesar de ainda estar numa fase muito prematura da minha carreira, onde tenho de dividir o futebol com 'part-times' para poder pagar as contas, eu hipoteco todas as minhas hipóteses de ter uma vida tranquila e estável para poder viver daquilo que mais gosto, o futebol. Por isso, aquela frase nunca me fez muito sentido... quem no seu perfeito juízo, ao saber qual o caminho para o sucesso, abdicaria do mesmo? A resposta foi-me dada ao longo do tempo, com vários exemplos de jogadores e treinadores que eu fui vendo abdicarem das possibilidades de chegar mais longe para poderem ter vidas mais estáveis e seguras.

Creio que o grande problema é, antes de mais, a falta de ambição. Cada vez mais as pessoas no geral, jogadores e treinadores em particular, tendem a cair na política do facilitismo, uma politica bem pior que qualquer outra semelhante aos países que estão em crise (quase todos, não?) É totalmente inaceitável um treinador dizer que quer ser um dos melhores do mundo mas que nem sequer planeia os treinos, é inaceitável pretender-se ser um grande líder quando se é incapaz de cumprir horários e compromissos. Não se pode querer ser um grande jogador quando se prefere jogar futebol na Playstation do que na rua. Se queremos ter sucesso numa área, essa área tem de ser prioritária na nossa vida e temos de tratar de tudo o que lhe diz respeito com a maior seriedade possível.

É quase um cliché avisar jovens de grande potencial que vão ter de trabalhar muito e evitar excessos no seu percurso para não se perderem quando quem dá esses conselhos, muito provavelmente é um 'habitué' nesse mundo de excessos e como o ser humano tende a adoptar os comportamentos de quem o rodeia, entramos no ciclo vicioso da falta de ambição e facilitismo.

E a juntar tudo isto, vivemos num mundo onde se pretende jogar pelo seguro. As crianças não podem sair à rua porque pode-lhes acontecer alguma coisa, os adultos têm de procurar um emprego estável porque podem ficar desempregados... se não arriscarmos arriscamo-nos a levar uma vida medíocre e a mediocridade é o que nos torna iguais a todos os outros. Há quem não queira ser igual a todos os outros e é nesses que se deve apostar para chegar lá no alto, porque talento há muito, talento e trabalho na mesma embalagem é algo muito raro e que deve ser aproveitado e potenciado ao máximo.

Para chegar ao topo é preciso dedicar toda a nossa energia àquilo que gostamos, mesmo havendo possibilidades de não chegar lá. Estão dispostos a arriscar?


Foto: http://www.chelseafc.com/page/LatestNews/0,,10268~1412411,00.html

3 comentários:

João Lino disse...

Concordo Plenamente! Penso que num mundo muito mais fácil actualmente em comparação com outras décadas, onde existe tudo, os miúdos estragam-se com tanto facilitismo, acabando por desvalorizar conteúdos importantes. Abraço

jl disse...

ogo futebol e estou mesmo mesmo quase a terminar o meu percurso nos escalões de formação ou seja, este artigo tem tudo a ver com a realidade em que vivo neste momento, porque sei que os próximos 3,4,5 anos serão absolutamente decisivos naquilo que poderá ser ou não ser a minha carreira no futebol.
Penso muito sobre coisas debatidas neste texto, até porque sou um crente na opinião de que a vontade e a ética de trabalho são o grande motor de um percurso e só por isso, parabéns pelo texto.
Contudo, e apesar de concordar com tudo o que esta escrito, penso que falta acrescentar uma coisa muito importante neste contexto, que é o reconhecimento do trabalho e da postura de um determinado individuo.
Joguei na minha formação em 4 clubes, 2 dos quais são dos clubes de maior sucesso em portugal e como tal, já convivi com colegas e colegas a quem se aplica a tendência do facilitismo e falta de ambição de que falas, jogadores de muito muito talento, alguns dos quais percorreram grande parte das selecções jovens e que vejo aos poucos e poucos irem ficando para trás, assim como já tive colegas que embora menos talentosos, pela sua ética no trabalho conseguiram evoluir bastante e que estão a começar a atingir patamares muito superiores (falo por exemplo de um colega que tive que nos escalões de iniciados, juvenis era indiscutivelmente suplente ou mesmo 4a opção e que este ano, na sua primeira época como sénior, já fez 90 minutos de um jogo na liga dos campeões).
Não me desviando mais do assunto queria então dizer que em minha opinião, o reconhecimento do trabalho é algo chave neste sentido, não só porque pode estimular/desincentivar um dado jogador/atleta mas porque acho que é algo necessário na criação de um contexto de trabalho e competitividade num grupo de trabalho. Basta citar o caso que já é quase "académico" de que quando um treinador decide por a jogar um jogador talentoso mas pouco trabalhador e que não tem boa conduta humana deixando de fora um jogador um nadinha menos talentoso mas que preenche os outros requisitos está em última análise a passar ao grupo a mensagem de que para ele, a ética e o trabalho não são factores muito decisivos. É claro que no limite, todas as situações ficam dependentes da personalidade de cada jogador e da forma como ele encara e reage aquilo que vai sucedendo no seu percurso, mas olhando para trás não posso deixar de pensar que em muitas situações, aquilo que faltou a alguns colegas meus (e que com certeza falta a muitos jogadores e atletas) , neste sentido da dedicação, foi a palavra certa e a decisão certa por parte dos líderes em determinados momentos.

Parabéns pela iniciativa.

Telmo Abreu Silva disse...

Tens toda a razão jl, o problema é que para colocar um jogador talentoso, que marque claramente a diferença, no banco por este não trabalhar tanto como os outros, requer uma enorme capacidade de liderança porque é preciso conseguir lidar com todas as pressões de quem está de fora que facilmente arranjam uma justificação se as coisas não correrem bem. Por vezes, colocar esse tal jogador no banco já é um enorme FB positivo para aqueles que se esforçam, sabes bem que num balneário, essas atitudes não passam em claro.

Tu já deves ter reparado com certeza que os adeptos (sejam eles os pais, amigos ou meros simpatizantes) quando analisam o fenómeno do futebol, por vezes têm comportamentos quase irracionais e é-lhes difícil compreender decisões que podem prejudicar num jogo mas são necessárias para salvar o grupo.

Como se diz em bom português, é preciso tê-los no sitiu.

Obrigado pelo comentário.

Um abraço.