A Arte do Futebol

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A Importância da Religião no Sucesso Individual


Escrevo este post imediatamente após ter lido um artigo de Neil Strauss no The Wall Street Journal. Neste artigo, Neil falou da relação de vários nomeados para os Grammys com Deus e encontrou um denominador comum, todos eles acreditavam que Deus queria que eles tivessem sucesso e tinha-lhes atribuído aquela missão. De facto, é-me difícil encontrar alguém que seja bem sucedido (entenda-se, conhecido mundialmente) que não acredite em Deus e lhe atribua sempre alguma fatia do seu sucesso (se não mesmo o bolo todo). Ainda há uns dias, Mourinho disse, numa entrevista à Real Madrid TV, que apenas teme Deus pois é um "católico profundo".

Voltando ao artigo, Neil tira uma conclusão bastante pertinente para explicar esta relação entre o sucesso e a fé. Quanto maior é a fama e o sucesso de alguém, mais agressivos se tornam os críticos e é aí que acreditar que se está num determinado caminho com um propósito e que se tem Deus a caminhar a seu lado pode ser uma grande ajuda.

Não terá sido fácil para Roberto Baggio, na final do Mundial de '94, nos E.U.A., ter falhado a grande penalidade contra o Brasil na Final. Assaltado por uma súbita curiosidade, fui pesquisar o seu passado religioso e descobri que ele foi católico e mais tarde abraçou o Budismo. Terá a sua fé ajudado o seu caminho até ao topo?

Claro que não quero com isto dizer que um ateu não possa ter sucesso mas parece-me perfeitamente lógico que a fé, seja em que religião for, pode ter um papel muito importante no suporte psicológico do tumultuoso caminho para o sucesso.

A diferença entre uma vida banal e uma vida de sucesso é o mesmo que uma viagem tranquila a 90km/h na A1 ou uma subida a pé até ao topo do Monte Evereste. Irão surgir obstáculos em todo o lado e a esmagadora maioria das pessoas não suporta viver nessas condições (daí que a esmagadora maioria das pessoas tenham uma vida banal). Como escrevi no post anterior, todos sabem qual é o caminho para o sucesso, mas quase ninguém está disposto a fazê-lo. E com tamanhas dificuldades, a ambição pode não ser suficiente e quando se chega ao ponto onde os nossos objectivos parecem impossíveis dadas as dificuldades que se atravessam no nosso caminho, acreditar que alguém 'Todo Poderoso' está do nosso lado pode dar-nos a segurança e coragem para prosseguir em frente com a determinação necessária para lutar pelos nossos objectivos.

Concluo assim que a religião, escândalos à parte, é acima de tudo algo bastante pessoal que pode servir de suporte nos tempos de adversidade. Não importa se é Jesus Cristo, Buda, Alá, a Megan Fox ou o Tony Carreira, o importante é que haja algo que nos inspire dia a dia na luta pelos nossos objectivos.

3 comentários:

João disse...

Boa noite caro amigo Telmo Silva,

Essa conversa da fé, religião, jesus, deus, etc etc já foi por nós muito discutida mas esta colagem ao sucesso individual na área do desporto, futebol no caso. Assim decidi vir por umas "achas na fogueira".

Para já penso que estás a "ocidentalizar" demais a coisa. Ou seja, a foto que ilustra o post tem um senhor de barbas e cabelo comprido, hábito branco e sandalias (bem ao estilo de Jesus quando foi pendurado numa cruz), tal e qual a lengalenga que ensinam ao Domingo de manhã na catequese. Se mostrares essa foto no Uzbequistão ou até mesmo na Coreia do Norte não terá o mesmo impacto que terá para um senhor de Freixo de Espada à Cinta. E agora dir-me-ás: Mas no Uzbequistão não se pratica um bom futebol. Podes ter razão mas não podes estabelecer uma paralelo tão estreito entre fé e sucesso só porque os senhores lá não dão grandes remates numa bola.

Experimenta agora colocar a questão ao contrário: Imagina uma qualquer comunidade profundamente religiosa...indubitavelmente seguidora da mais dogmática doutrina religiosa. É liquido que essas pessoas tenham uma busca incessável pela perfeição? Os seus jovens passem 2horas por dia a tentar marcar cantos directos ou a bater livres directos? Eu não creio...

Outro apontamento que, conhecendo-te bastante bem como conheço, penso ter-te influenciado tem a ver com o teu apreço pelo futebol, futebolistas, músicos, actores, pessoas em geral do Brasil. O teu jogador favorito já foi e o teu músico favorito é brasileiro...esse gosto por um país profundamente religioso penso ter-te influenciado. Em particular, os jogadores de futebol canarinhos dizem com a maior das naturalidades que "foi Deus que me ajudou" ou "agradeço a Deus ter jogado bem" já para não falar no clássico "o jogo correu bem, graças a Deus!".

Para terminar gostava apenas de dizer uma outra coisa. Penso que, retomando o parágrafo anterior, a utilizaçao da figura superior, ser supremo inalcançável é muitas vezes um escape. Uma forma de justificar algo à partida injustificável. Quero com isto dizer que: quando não ganhas tens 1001 argumentos para falar. O treinador falhou ao não usar aquele estremo, a condição física não é a melhor, o árbitro não ajudou ou simplesmente "tivemos azar". Mas é muito raro (excepto algumas pessoas que já começo a ver alterar essa tendência) alguém explicar o porquê das coisas terem corrido bem. É prática normal das pessoas, por comudidade interior e devido ao "calor" dos momentos soltarem um "correu muito bem graças a Deus". Se reparares, na análise do dia a seguir, a mesma pessoa já diz "bem, conseguimos criar uma acutilância ofensiva derivada da mobilidade do nosso número 10 que funcionou bastante bem no apoio ao ponta de lança".

Assim termino com esta pequena reflexão. Por vezes estas coisas não são assim tão lineares, eu penso.
Bem hajas

Telmo Abreu Silva disse...

Bom dia caro amigo João N. Oliveira,

Antes de mais eu pretendo neste post racionalizar ao máximo as crenças religiosas e a sua influência no suporte psicológico das pessoas em geral e profissionais do desporto em particular.

Como bem sabes, eu não me sinto influenciado em termos religiosos por nenhuma cultura porque não me assumo religioso... vamos chamar-me espiritualista que é um sinónimo não-controverso de ateu.

Apenas pretendo sugerir a eventual importância que a religião pode ter na superação de situações à partida complicadas. Digamos que é algo que pode ser considerado como um 'boost' na consolidação do processo defensivo e das transições ofensivas do jogo psicológico que vai acontecendo ao longo da vida.

E assim termino a explicação da minha reflexão.

Um bom dia... e haja saúde.

Pentacúspide disse...

Concordo contigo, Telmo, em parte. Afinal não é à toa que se diz: "A FÉ MOVE MONTANHAS". Mas também o facto de pronunciarem o nome de Deus quando ganham prémio não significa necessariamente que sejam religiosos ou que professam a religião.

Concordo com o João, nesta outra. Conheço monte de gente que se diz católico, só porque os pais são e porque foram baptizados quando tinham 3 meses de idade, ou seja, só conhecem a fé em Deus pelo nome.

E acho que, copiando a frase de não sei quem, o autor desse trabalho que citaste só pintou o alvo à volta da seta, para provar uma teoria falaciosa.

Bom trabalho. Afinal sempre escreves.