A Arte do Futebol

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Construção de Uma Equipa


Antes de mais é importante referir que uma equipa não é um conjunto de jogadores, é muito mais que isso.

Apesar de haver muita gente envolvida na construção de uma equipa, é de extrema importância que o treinador tenha a última palavra na selecção de jogadores. Uma equipa deve centrar-se no modelo de jogo e esse modelo é idealizado pelo treinador. Dependendo das características do modelo de jogo, existem sempre jogadores, independentemente da sua qualidade, que não são compatíveis com esse modelo. Um erro cometido por muitas equipas é contratar jogadores com base no seu estatuto e não nas suas características. Seria muito difícil colocar um Ronaldinho Gaúcho a jogar no Braga porque é um jogador cujas características (técnicas e mentais) se enquadram num método de jogo ofensivo de ataque posicional (razão pela qual as épocas de melhor rendimento dele foram no Barcelona, clube que culturalmente joga em ataque posicional).
Em termos técnicos é comum que dentro de uma equipa haja jogadores diferentes, por vezes é até fundamental, mas em termos mentais é preciso que todos pensem o jogo da mesma forma, que tenham a mesma cultura de jogo. Ao ter numa equipa, que ataque em ataque posicional, um jogador que tenta sempre jogar longo para o ponta de lança, vai comprometer a forma de jogar da equipa da mesma forma que ter um médio que gosta de temporizar o jogo numa equipa que jogue em ataque rápido e contra-ataque vai comprometer toda uma forma de jogar idealizada pelo treinador.

É por tudo isto que os departamentos de prospecção dos clubes têm tão grande importância. Já não basta avaliar o jogador tecnicamente, é muito importante avaliá-lo tacticamente e neste aspecto táctico inclui-se a sua mentalidade. É comum verem-se jogadores com um rendimento fantástico num clube tornarem-se jogadores medianos noutro (ex: Michael Owen, Nicolas Anelka, Joe Cole, Robinho, ...). Entre os aspectos responsáveis por isso acontecer, para além da auto-confiança do próprio jogador, estão as suas missões tácticas que passam a ser diferentes. Por exemplo, um jogador que tem como a sua característica mais marcante a sua velocidade com e sem bola, pode não ter o mesmo rendimento se for para um clube que assenta o seu jogo no último terço porque deixa de ter espaço para explorar nas costas da defesa adversária; da mesma forma que um avançado cuja principal arma é o jogo aéreo dentro da área adversária não tira o melhor de si ao jogar numa equipa que usa constantemente transições rápidas para o ataque.

E não se pode moldar um jogador a um determinado estilo? Claro que sim mas para além de ser um processo moroso (e os adeptos, dirigentes e patrocinadores no futebol não são conhecidos pela sua paciência), ao transformar um jogador ele deixa de ser aquele que foi contratado, vai passar a demonstrar outras características, outras tendências e pode deixar de ser aquele que suscitou o interesse inicial. O melhor exemplo que posso dar foi um que o professor Vítor Frade uma vez deu (e que eu li algures), o do Anderson do Manchester United que no Porto era um jogador fenomenal com uma criatividade e irreverência apaixonantes e agora se tornou mais sereno, mais europeu, mais aborrecido...

Imagem: http://www.unitedrant.co.uk/shorts/anderson-ruptures-cruciate-to-end-season/

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