A Arte do Futebol

terça-feira, 24 de maio de 2011

Great Power Brings Great Irresponsibility

Acabei de ler um texto fenomenal de Jonah Lherer no seu blog Frontal Cortex. Segundo ele, o poder leva as pessoas a desligarem-se da realidade, a perderem empatia pelos outros e a sentirem-se acima das regras, pensando mais no seu próprio bem que no dos outros. Ele refere ainda pequenos resumos de alguns estudos que comprovam isso mesmo.

Todos nós já vimos políticos a afundarem-se nas malhas da corrupção, artistas a perderem-se no mundo da droga, famosos a querer contornar normas e regras devido ao seu estatuto, etc, etc.... e todas estas histórias têm algo em comum, geram uma revolta enorme por parte das pessoas que assistem de fora. O que pensa um desempregado quando vê um multi-milionário a fugir aos impostos? E um aspirante a músico a ver ícones do rock a serem internados com overdoses de tudo o que é estupefaciente? O ser-humano nunca está contente e esse inconformismo pode ter benefícios ao gerar ambição nos objectivos das pessoas mas por vezes leva-nos longe de mais. Ao fim ao cabo, é o nosso racionalismo que nos torna irracionais.... uma pessoa poderosa tem obviamente mais poder que grande parte das pessoas e como tal, pode fazer muitas coisas que outros não podem. Dessa forma, a nossa mente racional tende a usar todas as armas que temos disponíveis para nosso proveito, racionalizando acções que para a maioria de nós é completamente irracional. Como se a moralidade das nossas acções fosse inversamente proporcional ao nosso poder. Quanto mais temos um, menos temos o outro.

O facto de conhecermos o segurança de uma discoteca e usar-mos isso para podermos entrar sem ter de pagar o consumo mínimo não é muito diferente de conhecer o presidente de uma empresa que nos coloca num posto onde existem dezenas de candidaturas em espera de pessoas muito mais qualificadas que nós, ou que uma pessoa que conhece alguém que consegue camuflar os nossos rendimentos de forma a podermos fugir aos impostos, ou de alguém que conhece o tesoureiro e faz um arranjinho para poder desviar dinheiro. Se formos a analisar todos estes casos de forma racional, todos eles são idênticos... o argumento de este ser menos grave que o outro é apenas medido pelo estatuto e poder de quem o diz.
E por tudo isto eu digo, numa cultura de facilitismo, o fracasso é o melhor que se pode ambicionar.

Imagem: http://www.radiomonsanto.pt/detalhe-noticia.php?id=509

1 comentário:

Pentacúspide disse...

é, alguém já dizia sabiamente: o poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente. Aliás, mesmo noutros meios, vamos citar o académico, por exemplo, que por sua base científica devia ser menos preconceituoso, vemos doutorados a fazerem-se de supremos, argumentando com o título, diante de estudantes, em vez de ponderarem e ouvirem cautelosamente. Enfim...