A Arte do Futebol

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Bebidas Desportivas - Como Funcionam?

O objectivo das bebidas desportivas é repor os líquidos e sais minerais perdidos durante a actividade desportiva por intermédio da sudação (suor).

Vou apenas dar uma explicação abreviada de alguns termos utilizados no mundo da hidratação no desporto.

Bebidas Isotónicas: Têm a mesma concentração de moléculas que os fluídos do nosso corpo e assim são facilmente absorvidas.

Bebidas Hipertónicas: Têm uma maior concentração de moléculas que os fluídos do nosso corpo e como tal, a sua absorção é mais lenta. Recomendam-se para depois do exercício pois apesar de ser absorvida mais lentamente, dá um maior aporte de nutrientes que as restantes.

Bebidas Hipotónicas: Têm uma menor concentração de moléculas que os fluídos do nosso corpo e como tal, a sua absorção é mais rápida. Apesar disso, têm um valor nutricional reduzido em relação às restantes.

Bebidas Energéticas: Servem principalmente para manter o estado de alerta, aumentam a frequência cardíaca, tensão arterial e não servem para hidratar podendo mesmo ser uma causa de desidratação.

Posto isto, acho bastante lógico eliminar à partida as bebidas energéticas do desporto pois não vão ajudar na hidratação e os seus efeitos agudos, aliados à actividade física intensa, podem causar problemas de saúde. As bebidas hipertónicas deverão ser consumidas depois do exercício pois a sua grande concentração de moléculas não permite uma optimização na absorção do líquido. Assim sendo, as bebidas que serão ideais durante o exercício são as bebidas hipotónicas e isotónicas. Mas estas, mesmo sendo absorvidas rapidamente, não possuem uma quantidade de nutrientes alta que possa optimizar o nosso rendimento desportivo.

Como os tempos são de crise, a bebida desportiva mais eficaz é a água. Ingerida em quantidade moderada (cerca de 250mL) e a temperaturas baixas acaba por ser a melhor forma de hidratação e custa cerca de 1 décimo do preço das bebidas isotónicas até porque aparentemente o nosso cérebro não olha ao sabor ou marca na hora de potenciar o nosso rendimento.

E nem sequer se interessa se o líquido foi ingerido. Estas são as conclusões de um estudo, do qual tive conhecimento através do blog Frontal Cortex.

O estudo supracitado (ou supralinkado) dá a entender que é possível que tenhamos uns receptores na boca para os hidratos de carbono (HCO) e quando estes são activados, também são activadas no nosso cérebro as zonas de prazer. Jonah Lehrer põe a hipótese de o aumento de performance (que foi provado no estudo) tenha a ver com a prazer momentâneo que se sente, que nos permite aguentar a dor causada pelo esforço durante mais tempo. Desta feita, basta colocar algo doce na boca para que esses eventuais receptores sejam activados e o nosso aumento de performance aconteça, não é preciso sequer engolir pelo que os receptores já estão a dizer ao nosso cérebro que vem aí uma dose de HCO e como tal, pode começar a trabalhar em função disso. Fica assim resolvido um problema, porque durante o esforço intenso a nossa tolerância para ingerir alimentos sólidos é muito reduzida.

Foto: http://ligadasaude.blogspot.com/2011/06/hidratacao-x-bebidas-esportivas-x.html

1 comentário:

Pentacúspide disse...

as tantas publicidades de bebidas energéticas sempre me lembram o filme Idiocracy, onde as pessoas não bebiam água e até regavam as plantas com gatorade. Aliás, admira-se que quando se fala de hidratação (de hidro) muitos publicitistas desportivos não mencionam a água (hidro), parece que o único trabalho deles mesmo é só vender o produto de uma empresa qualquer.
Obrigado pelo esclarecimento, já tenho outros argumentos para defender a água sobre os energéticos.