A Arte do Futebol

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Sentir o Clube

Um dos temas de que se fala no futebol desde que eu me lembro de ser gente é o facto de em Portugal não se apostar demasiado nos jogadores nacionais. 

Eu já tive várias opiniões acerca deste assunto e de momento não acho que se deva fazer distinções à nacionalidade na hora da escolha de um jogador para uma equipa mas sim ao seu carácter e qualidade desportiva. Se uma equipa tiver um plantel de 22 estrangeiros que apenas querem jogar futebol e ajudar o seu clube a evoluir, que seja! Os treinadores não têm culpa que os portugueses, que passam a sua infância a treinar 3 vezes por semana e sentados no computador 5 horas por dia percam o lugar para uma criança que no seu país de origem nem TV tinha em casa e passava os dias a jogar futebol. No entanto há outro aspecto a ter em conta que tem a ver com a cultura futebolística.

Referindo-me aos 3 grandes de Portugal que são clubes que ambicionam (mesmo que de uma forma algo utópica) a títulos europeus e a serem considerados grandes clubes a nível mundial, qualquer jogador que faça parte de um destes planteis SÓ pode pensar no bem do seu clube. Tem de sentir o clube, viver o clube e viver PARA o clube. É impensável que um jogador chegue ao Sporting e diga: "O Sporting permite-me continuar a ter visibilidade, de maneira a continuar a ter a confiança do seleccionador..." (Elias, a mais recente contratação do Sporting). Não interessa o que ele diga depois, o seu objectivo já foi exposto, é um jogador que vê o clube como um meio para melhorar a SUA carreira. Será que, caso a sua vida desportiva comece a ser melhor, ele vai continuar a querer ficar no Sporting ou irá procurar chegar a um clube de maior "visibilidade"? Podemos também falar da pressão de jogadores (através dos respectivos empresários) como Fàbregas, Falcao e Álvaro Pereira para saírem dos clubes após sentirem que há interesse neles. E qual é o denominador comum em todos estes exemplos? Nenhum é originário do país onde está a jogar (ou jogou há data do exemplo). É aqui que ter jogadores nacionais pode ser visto como uma grande vantagem pois conhecem melhor a cultura do seu próprio país. Qualquer jogador português, por mais talentoso que seja, tem maiores probabilidades de dar tudo pelo seu clube que um jogador estrangeiro que está apenas em mais um clube.

Como é óbvio, há excepções de ambos os lados. No entanto, não considero que a culpa seja inteiramente dos jogadores. Os clubes têm de assumir a sua responsabilidade. Primeiro porque são os principais responsáveis pela aquisição dos activos desportivos, segundo porque têm de liderar os mesmos de maneira a que estes ganhem empatia com o clube, que se revejam nos seus objectivos e se sintam parte integrante na caminhada para a sua concretização. Os resultados ajudam neste processo mas também são consequência do mesmo. Claro que a globalização empurra a mentalidade dos jogadores no sentido inverso, para a desresponsabilização dos compromissos assumidos. Hoje em dia assina-se um contracto de 5 anos em que apenas se pensam nos 2 primeiros, que serão o suficiente para 'dar o salto', como se o clube tivesse obrigação de os deixar sair a preço de saldo como que em tom de agradecimento pelo contributo dado. Os contractos são para se cumprirem e se os jogadores acham que o preço pedido pelos seus clubes é alto de mais, pensassem nisso antes de assinar a folha onde estava escrito o valor da cláusula de rescisão.

Há jogadores portugueses que dariam a vida para jogar num Benfica, Porto ou Sporting tal como há jogadores estrangeiros que trabalhariam o triplo que um jogador nacional nos clubes mencionados. Tal como referi no início, não é uma questão de nacionalidade mas sim de CARÁCTER e qualidade desportiva.

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