A Arte do Futebol

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Futebol Formação

A última convocatória da Selecção Nacional de Sub-19 contou com 6 jogadores do Benfica, 4 do Porto, 6 do Sporting, 1 do Leiria e 1 do Guimarães, sendo que Pedro Almeida representa o Leiria por empréstimo do Benfica. Isto é algo bastante comum nas selecções jovens mas algo preocupante para a evolução dos jogadores dado que a qualidade está bastante concentrada em 3 pólos (Benfica, Porto e Sporting).

Existe um factor que é fundamental para a evolução de um jogador que é a competitividade e esta não existe, ao nível dos 3 grandes, nas respectivas competições jovens dado que os campeonatos apenas ficam equilibrados nas fases finais (que representam na maioria das vezes meia dúzia de jogos).

É importante referir que a culpa não é dos clubes grandes que vão buscar os melhores jogadores, nem é da selecção que vai buscar os melhores jogadores (e como é óbvio, é natural que estes estejam nos melhores clubes). Talvez o problema esteja na regulamentação dos sistemas de recrutamento de jogadores. Se num campeonato, em cerca de 16 equipas houvessem pelo menos 6 que tivessem hipóteses reais de conseguir o primeiro lugar, todos ficariam a ganhar. Mas como se faz para que a qualidade fique distribuída pelas diferentes equipas? Qualquer jogador ambiciona jogar num dos 3 grandes e os jovens preferem ficar uma época num Benfica a fazerem cerca de 700 minutos de jogo que num outro clube da mesma divisão a fazerem 2500 minutos. É uma escolha compreensível apesar de não ser coerente com a evolução do mesmo. Um jogador não vai evoluir menos num clube de nível médio que num grande desde que esteja na mesma competição. No entanto, é natural que evolua mais se fizer mais minutos de jogo. A formação dos clubes médios não pode ser má (salvo excepções) se em todos os escalões se vêm jogadores a sair desses clubes para os grandes.

Porque não o recrutamento ser feito por sistema de troca de jogadores. Se um Benfica quiser um jogador do Sacavenense, teria de ceder um para troca. Esta seria uma forma de 'dissolver' o talento nas principais competições. Iria obviamente continuar a haver mais qualidade nos clubes grandes (e merecem que haja) mas essa qualidade não iria ser tão concentrada como é agora e faria com que aumentasse a competitividade nas respectivas competições, os clubes que formavam os jogadores eram de certa forma compensados pelo trabalho desenvolvido, nenhum jogador ficaria preso e a qualidade geral do jogo sairia a ganhar. O jogador cedido para troca teria oportunidade de jogar mais regularmente o que também seria benéfico para o mesmo. E verdade seja dita, actualmente nenhum jogador deve temer perder visibilidade pois a rede de prospecção dos clubes grandes está alargada a praticamente todo o país e é difícil uma equipa não estar sob o olhar atento de olheiros.

Foto: http://site.gazetadeviseu.com/index.php?option=com_content&view=article&id=231758:futebol-forma%C3%87%C3%83o---a.f.a.&catid=46:outros&Itemid=70

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